LITURGIA E EXERCÍCIOS ESPIRITUAIS
A VIA SACRA COMO PEREGRINAÇÃO ESPIRITUAL
A vida cristã necessita ser
exercitada pelas diversas formas de oração, praticas de piedade e devoções
autorizadas e determinadas pela Igreja O objetivo principal é a santificação
das almas. Entre estes exercícios espirituais escolhemos para este estudo
dentro do Curso de Liturgia que preparamos o da Via Sacra. Durante este exercício
se percorre e se medita o caminho de cristo até o Calvário. Ele nos ajuda a ter
o sentimento de gratidão e a\mor por Nosso Senhor Jesus Cristo. Ao venerar os
momentos mais dolorosos da Paixão
redescobrimos a Misericórdia de Deus Pai que entregou seu filho para nos
redimir dos pecados. Jesus sacrificou sua vida, fazendo a vontade do Pai e
reconciliou o mundo com a ordem da graça. A via sacra deve nos aproximar de
Cristo e aumentar em nos o amor por Deus Pai e a comunhão no Espírito Santo e
também nos ajuda a imitar as virtudes heroicas que Jesus nos deixou na Paixão e
Morte, entre elas a de fazer a vontade do Pai e perdoar até as ultimas consequências.
.
É muito comum que determinados
exercícios espirituais sejam exercitados em épocas determinadas com mais
devoção e frequência. O fato não significa que eles não possam ser realizados
em outras situações e momentos da vida.
Existem vários exemplos sobre este
fato que podemos citar e entre eles este que faz pare do presente estudo: a Via
Sacra.
Este exercício espiritual é muito
frequente durante o tempo litúrgico da Quaresma e mais ainda durante as sextas
feiras desse período.
Em questões de espiritualidade
nossa vida não está restrita a determinados períodos e muito pelo contrário
quanto maior o numero de vezes que podemos experimentar os exercícios
espirituais mais cresceremos em fé e santidade.
Trazemos nesta lição algumas
informações sobre o costume do exercício da Via Sacra para que tal conhecimento
possa nos auxiliar em sua compreensão e quem sabe fazer com que um número maior
de vezes se costume realiza-lo.
A tradição da veneração e da
meditação da Via-sacra.
A Via Sacra é um dos exercícios de
piedade, uma peregrinação espiritual no qual se medita o doloroso caminho que
Jesus percorreu no dia de sua Crucificação desde o pretório de Pilatos até o
monte Calvário, onde foi crucificado e em seguida deposto no sepulcro.
A Tradição da Igreja explica que
após a Ascensão de Jesus, Maria Santíssima percorria o caminho até o calvário onde
Jesus havia derramado seu Sangue. Durante o trajeto Maria meditava
fervorosamente todo o fato da paixão e morte de Seu Filho. Ao longo da historia
os fieis de todas as partes do mundo começaram a imitar o exemplo de Maria.
Desde os primórdios e mais precisamente na
Idade Média os fiéis veneravam os lugares santos, onde viveu, morreu e foi
glorificado Jesus Cristo. Peregrinos de países mais longínquos iam à Palestina
para orar nesses lugares. Os Papas concediam indulgencias para aqueles que
percorriam a Via Crucis. Milhares de peregrinos que iam a Jerusalém a fim de
experimentar o caminho da cruz e muitos deles reproduziram em pinturas ou
esculturas os lugares sagrados onde visitavam
Lugares Santos
A tendência de reproduzir os
lugares santos aumentou por causa das Cruzadas (século XI-XIII), a qual
proporcionou a muitos fiéis a oportunidade de conhecer os lugares santos e de
se beneficiar da espiritualidade desses locais. Por isso, aumentaram as capelas
e monumentos que lembram os santuários da Terra Santa. Essas capelas e
monumentos passaram a ser visitados por pessoas que não podiam viajar para a
Cidade Santa.
Até o século XII, os guias e
roteiros que orientavam a visita dos peregrinos à Palestina não tratavam de
modo especial os lugares santos que diziam respeito à Paixão de Cristo. Em
1187, apareceu o primeiro itinerário que seguia o caminho percorrido por Jesus.
Porém, somente no fim do século XIII, os fiéis passaram a separar a Via
dolorosa do Senhor em etapas ou estações. Cada uma dessas era dedicada a um
fato do caminho da cruz de Cristo e acompanhada por uma oração especial. Por
causa da limitação dos maometanos, os cristãos passaram a ter um programa para
a visita desses lugares santos, relacionados à Paixão de Cristo.
VIA CRUCIS
No fim do século XIV, já havia um
roteiro comum, que percorria, em sentido inverso, a Via crucis. Este começava
na Igreja do Santo Sepulcro, no Monte Calvário, e terminava no Monte das
Oliveiras. As estações desse caminho eram bem diferentes da via atual. Alguns
autores do fim do século XV afirmavam que esse itinerário do Calvário ao Monte
das Oliveiras era o mesmo já mencionado que a Virgem Maria costumava percorrer,
recordando a Paixão de seu amado Filho Jesus Cristo.
Os peregrinos que visitavam a
Terra Santa, no fim da Idade Média, testemunhavam um extraordinário fervor,
pois arriscavam suas vidas na viagem e se submetiam às humilhações e
dificuldades impostas pelos muçulmanos ocupantes da Palestina. Tal fervor fez
com que muitos cristãos, que não podiam ir à Terra Santa, desejassem trocar a
peregrinação pelo exercício de piedade realizado nas igrejas e mosteiros. Esse
desejo fez com que fosse desenvolvido o exercício do caminho da Cruz de Jesus
Cristo.
O fervor levou os fiéis a
percorrerem o caminho doloroso do Senhor Jesus na ordem dos episódios da
história da Paixão de Cristo. A narrativa da peregrinação do sacerdote inglês
Richard Torkington, em 1517, mostra que, no início do século XVI, já se seguia
a Via dolorosa do Senhor na ordem dos acontecimentos. Isso possibilitava aos
fiéis reviver mais intensa e fervorosamente as etapas dolorosas da Paixão. No
Ocidente, as pinturas ou esculturas das estações da Via-sacra eram variadas.
Algumas delas tinham apenas sete ou oito estações. Outras contavam com 19, 25
ou até 37 estações na Via dolorosa de Cristo. Em 1563, o livro “A peregrinação
espiritual”, de Jan Pascha, descreve uma viagem espiritual que deveria durar um
ano, num roteiro que partia de Lovaina para a Terra Santa.
COMO SURGIRAM AS 14
ESTAÇÕES
Cada dia dessa peregrinação
era acompanhado de um tema de meditação e exercício de piedade. Em 1584,
Adrichomius retomou o itinerário espiritual de Jan Pascha e lhe deu a forma que
tem a Via-sacra como a conhecemos hoje, ou seja, o caminho da cruz de Cristo
acontece a partir do pretório de Pilatos, onde Jesus foi condenado à morte, num
total de 14 estações, até o Calvário, onde morre o Crucificado.
Os franciscanos tiveram um
papel importante na propagação do exercício da Via-sacra. Desde o século XIV,
estes são os guardas oficiais dos lugares santos da Terra Santa e, talvez por
isso, dedicaram-se à propagação da veneração da Via-sacra em suas igrejas e
conventos. Desde o fim da Idade Média, os franciscanos erguiam estações da
Via-sacra, segundo o roteiro de Jan Pascha e Adrichomius. Isso fez com que essa
forma prevalecesse sobre as outras formas de devoção da Via dolorosa de Cristo.
Foram também os franciscanos que obtiveram dos Papas a concessão de
indulgências ao exercício da Via-Sacra. Dentre os filhos de São Francisco,
destaca-se São Leonardo de Porto Maurício, que ergueu 572 “Vias-sacras” de 1731
a 1751.
Assim, o exercício da Via
crucis desenvolveu-se ao longo dos séculos até atingir sua forma atual no
século XVI. A aprovação da Santa Sé e a concessão de indulgências mostra que a
veneração e a meditação da Via dolorosa de Cristo fazem muito bem para a
piedade cristã, especialmente no tempo da Quaresma. Por isso, desfrutemos dos
benefícios da Paixão de Cristo como são propostos pela Via-sacra, piedade que
santifica os fiéis cristãos a tantos séculos.
AS 14 ESTAÇOES DA VIA SACRA
1. Jesus é condenado à morte por
Pilatos (Mt 27.26; Mc 15.15; Jn 19.16)
2. Jesus carrega a Sua Cruz (Mt 27.31; Mc 15.20; Lc 23.26; Jn 19.17)
3. Jesus cai pela primeira vez
4. Jesus encontra a Sua Santa Mãe
5. Jesus recebe socorro de Simão
para carregar a Cruz (Mt 27.32; Mc 15.21)
6. S. Veronica enxuga a Face de
Jesus
7. Jesus cai pela segunda vez sob
o peso da Cruz
8. Jesus fala às mulheres de
Jerusalem (Lc 23.27-32)
9. Jesus cai pela terceira vez
sob o peso da Cruz
10. Jesus é despojado de Suas
vestes(Mt 27.35; Mc 15.24; Lc 23.34; Jn 19.23-24)
11. Jesus é pregado na Cruz (Mt 27.35+55; Mc 15.24; Lc 23.33+49; Jn 19.18)
12. Jesus morre na Cruz (Mt 27.50; Mc 15.37; Lc 23.46+49; Jn 19.30)
13. Jesus é descido da Cruz (Mt 27.59; Mc 15.46; Lc 23.53; Jn 19.39)
14. Jesus é sepultado (Mt 27.60; Mc 15.46; Lc 23.53; Jn 19.41-42)
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