quinta-feira, 28 de abril de 2016

LITURGIA E EXERCÍCIOS ESPIRITUAIS 

A VIA SACRA COMO PEREGRINAÇÃO ESPIRITUAL

A vida cristã necessita ser exercitada pelas diversas formas de oração, praticas de piedade e devoções autorizadas e determinadas pela Igreja O objetivo principal é a santificação das almas. Entre estes exercícios espirituais escolhemos para este estudo dentro do Curso de Liturgia que preparamos o da Via Sacra. Durante este exercício se percorre e se medita o caminho de cristo até o Calvário. Ele nos ajuda a ter o sentimento de gratidão e a\mor por Nosso Senhor Jesus Cristo. Ao venerar os momentos mais dolorosos  da Paixão redescobrimos a Misericórdia de Deus Pai que entregou seu filho para nos redimir dos pecados. Jesus sacrificou sua vida, fazendo a vontade do Pai e reconciliou o mundo com a ordem da graça. A via sacra deve nos aproximar de Cristo e aumentar em nos o amor por Deus Pai e a comunhão no Espírito Santo e também nos ajuda a imitar as virtudes heroicas que Jesus nos deixou na Paixão e Morte, entre elas a de fazer a vontade do Pai e perdoar até as ultimas consequências.  .
É muito comum que determinados exercícios espirituais sejam exercitados em épocas determinadas com mais devoção e frequência. O fato não significa que eles não possam ser realizados em outras situações e momentos da vida.
Existem vários exemplos sobre este fato que podemos citar e entre eles este que faz pare do presente estudo: a Via Sacra.
Este exercício espiritual é muito frequente durante o tempo litúrgico da Quaresma e mais ainda durante as sextas feiras desse período.
Em questões de espiritualidade nossa vida não está restrita a determinados períodos e muito pelo contrário quanto maior o numero de vezes que podemos experimentar os exercícios espirituais mais cresceremos em fé e santidade.
Trazemos nesta lição algumas informações sobre o costume do exercício da Via Sacra para que tal conhecimento possa nos auxiliar em sua compreensão e quem sabe fazer com que um número maior de vezes se costume realiza-lo.

A tradição da veneração e da meditação da Via-sacra.

A Via Sacra é um dos exercícios de piedade, uma peregrinação espiritual no qual se medita o doloroso caminho que Jesus percorreu no dia de sua Crucificação desde o pretório de Pilatos até o monte Calvário, onde foi crucificado e em seguida deposto no sepulcro.  
A Tradição da Igreja explica que após a Ascensão de Jesus, Maria Santíssima percorria o caminho até o calvário onde Jesus havia derramado seu Sangue. Durante o trajeto Maria meditava fervorosamente todo o fato da paixão e morte de Seu Filho. Ao longo da historia os fieis de todas as partes do mundo começaram a imitar o exemplo de Maria.    
 Desde os primórdios e mais precisamente na Idade Média os fiéis veneravam os lugares santos, onde viveu, morreu e foi glorificado Jesus Cristo. Peregrinos de países mais longínquos iam à Palestina para orar nesses lugares. Os Papas concediam indulgencias para aqueles que percorriam a Via Crucis. Milhares de peregrinos que iam a Jerusalém a fim de experimentar o caminho da cruz e muitos deles reproduziram em pinturas ou esculturas os lugares sagrados onde visitavam

 Lugares Santos

A tendência de reproduzir os lugares santos aumentou por causa das Cruzadas (século XI-XIII), a qual proporcionou a muitos fiéis a oportunidade de conhecer os lugares santos e de se beneficiar da espiritualidade desses locais. Por isso, aumentaram as capelas e monumentos que lembram os santuários da Terra Santa. Essas capelas e monumentos passaram a ser visitados por pessoas que não podiam viajar para a Cidade Santa.
Até o século XII, os guias e roteiros que orientavam a visita dos peregrinos à Palestina não tratavam de modo especial os lugares santos que diziam respeito à Paixão de Cristo. Em 1187, apareceu o primeiro itinerário que seguia o caminho percorrido por Jesus. Porém, somente no fim do século XIII, os fiéis passaram a separar a Via dolorosa do Senhor em etapas ou estações. Cada uma dessas era dedicada a um fato do caminho da cruz de Cristo e acompanhada por uma oração especial. Por causa da limitação dos maometanos, os cristãos passaram a ter um programa para a visita desses lugares santos, relacionados à Paixão de Cristo.

VIA CRUCIS

No fim do século XIV, já havia um roteiro comum, que percorria, em sentido inverso, a Via crucis. Este começava na Igreja do Santo Sepulcro, no Monte Calvário, e terminava no Monte das Oliveiras. As estações desse caminho eram bem diferentes da via atual. Alguns autores do fim do século XV afirmavam que esse itinerário do Calvário ao Monte das Oliveiras era o mesmo já mencionado que a Virgem Maria costumava percorrer, recordando a Paixão de seu amado Filho Jesus Cristo.
Os peregrinos que visitavam a Terra Santa, no fim da Idade Média, testemunhavam um extraordinário fervor, pois arriscavam suas vidas na viagem e se submetiam às humilhações e dificuldades impostas pelos muçulmanos ocupantes da Palestina. Tal fervor fez com que muitos cristãos, que não podiam ir à Terra Santa, desejassem trocar a peregrinação pelo exercício de piedade realizado nas igrejas e mosteiros. Esse desejo fez com que fosse desenvolvido o exercício do caminho da Cruz de Jesus Cristo.
O fervor levou os fiéis a percorrerem o caminho doloroso do Senhor Jesus na ordem dos episódios da história da Paixão de Cristo. A narrativa da peregrinação do sacerdote inglês Richard Torkington, em 1517, mostra que, no início do século XVI, já se seguia a Via dolorosa do Senhor na ordem dos acontecimentos. Isso possibilitava aos fiéis reviver mais intensa e fervorosamente as etapas dolorosas da Paixão. No Ocidente, as pinturas ou esculturas das estações da Via-sacra eram variadas. Algumas delas tinham apenas sete ou oito estações. Outras contavam com 19, 25 ou até 37 estações na Via dolorosa de Cristo. Em 1563, o livro “A peregrinação espiritual”, de Jan Pascha, descreve uma viagem espiritual que deveria durar um ano, num roteiro que partia de Lovaina para a Terra Santa.

COMO SURGIRAM AS 14 ESTAÇÕES
Cada dia dessa peregrinação era acompanhado de um tema de meditação e exercício de piedade. Em 1584, Adrichomius retomou o itinerário espiritual de Jan Pascha e lhe deu a forma que tem a Via-sacra como a conhecemos hoje, ou seja, o caminho da cruz de Cristo acontece a partir do pretório de Pilatos, onde Jesus foi condenado à morte, num total de 14 estações, até o Calvário, onde morre o Crucificado.
Os franciscanos tiveram um papel importante na propagação do exercício da Via-sacra. Desde o século XIV, estes são os guardas oficiais dos lugares santos da Terra Santa e, talvez por isso, dedicaram-se à propagação da veneração da Via-sacra em suas igrejas e conventos. Desde o fim da Idade Média, os franciscanos erguiam estações da Via-sacra, segundo o roteiro de Jan Pascha e Adrichomius. Isso fez com que essa forma prevalecesse sobre as outras formas de devoção da Via dolorosa de Cristo. Foram também os franciscanos que obtiveram dos Papas a concessão de indulgências ao exercício da Via-Sacra. Dentre os filhos de São Francisco, destaca-se São Leonardo de Porto Maurício, que ergueu 572 “Vias-sacras” de 1731 a 1751.
Assim, o exercício da Via crucis desenvolveu-se ao longo dos séculos até atingir sua forma atual no século XVI. A aprovação da Santa Sé e a concessão de indulgências mostra que a veneração e a meditação da Via dolorosa de Cristo fazem muito bem para a piedade cristã, especialmente no tempo da Quaresma. Por isso, desfrutemos dos benefícios da Paixão de Cristo como são propostos pela Via-sacra, piedade que santifica os fiéis cristãos a tantos séculos.
AS 14 ESTAÇOES DA VIA SACRA
1. Jesus é condenado à morte por Pilatos (Mt 27.26; Mc 15.15; Jn 19.16)

2. Jesus carrega a Sua Cruz (Mt 27.31; Mc 15.20; Lc 23.26; Jn 19.17)

3. Jesus cai pela primeira vez

 4. Jesus encontra a Sua Santa Mãe

 5. Jesus recebe socorro de Simão para carregar a Cruz (Mt 27.32; Mc 15.21)
 6. S. Veronica enxuga a Face de Jesus
 7. Jesus cai pela segunda vez sob o peso da Cruz

  8. Jesus fala às mulheres de Jerusalem (Lc 23.27-32)

  9. Jesus cai pela terceira vez sob o peso da Cruz

 10. Jesus é despojado de Suas vestes(Mt 27.35; Mc 15.24; Lc 23.34; Jn 19.23-24)

 11. Jesus é pregado na Cruz (Mt 27.35+55; Mc 15.24; Lc 23.33+49; Jn 19.18)

 12. Jesus morre na Cruz (Mt 27.50; Mc 15.37; Lc 23.46+49; Jn 19.30)

 13. Jesus é descido da Cruz (Mt 27.59; Mc 15.46; Lc 23.53; Jn 19.39)

 14. Jesus é sepultado (Mt 27.60; Mc 15.46; Lc 23.53; Jn 19.41-42)
 

quarta-feira, 9 de março de 2016

Cores litúrgicas na Igreja Católica Apostólica Romana


As cores litúrgicas na Igreja Católica  Apostólica Romana são reguladas pelo nº. 346 da vigente Instrução Geral do Missal Romano 3a. edição típica, promulgada em março de 2002 juntamente com a nova edição do Missal Romano. A IGMR estabelece que seja sempre observado o uso tradicional, mas as Conferências Episcopais podem determinar e propor à Santa Sé adaptações que correspondam às necessidades e ao caráter de cada povo.
As cores aprovadas pela IGMR, segundo o uso tradicional, e seus respectivos tempos de uso ao longo do ano litúrgico são o branco, o vermelho, o verde, oroxo, o preto e o rosa. O uso de diversas cores na liturgia da Igreja Católica surgiu dos significados místicos atribuídos a cada uma delas. Cores não previstas diretamente na IGMR, como dourado, prateado e azul serão apresentadas  abaixo.
1 – Branco.
2 – Vermelho
3 – Verde
4 – Roxo
5 – Preto
6 – Rosa
7 – Dourado
8 – Cores não previstas no IGMR
     8.1 – Cores para dias festivos
     8.2 – Azul

Branco
O branco é usado nos Ofícios e  Missa do Tempo Pascal do Senhor, bem como nas suas festas e memórias, exceto as da Paixão; nas festas e memórias da Bem-Aventurada Virgem Maria, dos Santos Anjos Santos não Mártires, na festa de   Todos os Santos (1 de jan), na Natividade de São João Batista ( 24 de junho) Festa de São João Evangelçista ( 27 de dezembro) Cátedra de São Pedro (22 de fevereiro) e da Conversão de São Paulo (25 de janeiro )  símbolo da luz, tipificando a inocência e a pureza, a alegria e a glória.
Vermelo

 O vermelho é usado no Domingo de ramos e na Sexta feira Santa, no domingo de Pentecostes nas celebrações da Paixão do Senhor, nas festas dos Apóstolos e Evangelistas ( com excessão de São João) e nas celebrações dos Santos Mártires. Simboliza as línguas de fogo em Pentecostes e o sangue derramado por Cristo e pelos mártires, além de inicar a caridde inflamante.

Verde
O  verde se usa nos Oficios e Missas do Tempo Comum. Simboliza a cor das plantas e árvores, prenunciando a esperança da vida eterna.
Roxo

O roxo usado no Tempo do Advento e no Tempo Quaresmal.
O Roxo no Advento : O roxo no advento não significa penitência, mas um recolhimento, uma purificação da vida pela justiça e pela verdade, preparando os caminhos do Senhor.
O Roxo vem acompanhado do sentido de um recolhimento que alimenta uma esperança.
O Roxo na Quaresma: Aqui o roxo se refere a uma profunda interiorização num tempo forte de penitência e conversão, de jejum e oração.
É também uma espera por um grande acontecimento, que nos convoca a uma preparação adequada.
Preto
O preto pode ser usado onde for o costume nas missas ppreto pode ser usado, onde for o costume, nas Missas pelos mortos. Denota um símbolo de luto, significando a tristeza da morte e a escuridão do sepulcro. Ao contrário do que pensam muitos clérigos e leigos, a cor preta não foi abolida nem pela IGMR anterior (que acompanhava o Missal de Papa Paulo VI) nem pelo atual. Segue sendo uma opção para a missa pelos mortos, onde for costume utilizá-la. No Brasil contudo, o uso do preto nas celebrações pelos fiéis defuntos foi, na prática, abolido, havendo sido substituído pelo uso do roxo  este facultado pela própria IGMR. Isto não constitui óbice, contudo, para que um clérigo venha a utilizar paramentos negros.
Rosa
O rosa, variação mais clara do roxo, representa uma quebra na austeridade do Advento e da Quaresma simbolizando uma alegria contida, podendo ser usada nos domingos Gaudete (III do Advento e Lætare (IV da Quaresma), ocasiões em que também poderá ser utilizado o roxo.
Dourado

O  dourado pode substituir todas as outras cores, menos o preto.
Cores não previstas na I.G.M.R.
Encontram-se com frequência em uso cores não previstas diretamente na IGMR. Analisa-se abaixo as mais comuns dentre elas.
Cores para dias festivo

A nova IGMR não repete, em sua edição latina, o texto do antigo nº. 309, que estabelecia: "Em dias de maior solenidade podem ser usadas vestes litúrgicas mais nobres, mesmo que não sejam da cor do dia." Contudo, a manutenção de tal norma subjaz à interpretação do atual nº. 347 (antigo 310), ao estatuir que "As Missas Rituais são celebradas com a cor própria, a branca ou a festiva;". Ora, se as missas rituais podem ser celebradas facultativamente com a cor própria do dia ou com a cor branca ou com a festiva, compreende-se que a festiva seria precisamente aquela espécie de vestes mais nobres, ainda que não sejam da cor do dia, como estava no antigo nº. 309. Um exemplo patente de uso de veste festiva na Liturgia são as cores dourada e prateada em substituição ao branco, uso ademais bastante difundido pelo Brasil e pelo mundo. Outro exemplo interessante foi o uso de uma casula multicolorida por S.S. João Paulo II quando da abertura da Porta Santa no Ano Jubilar de 2000 D.C.
Contudo, deve-se estar atento ao aviso feito na Instrução Redemptionis Sacramentum da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos: “Esta faculdade, que também se aplica adequadamente aos ornamentos fabricados há muitos anos, a fim de conservar o patrimônio da Igreja, é impróprio estendê-las às inovações, para que assim não se percam os costumes transmitidos e o sentido de que estas normas da tradição não sofram menosprezo, pelo uso de formas e cores de acordo com a inclinação de cada um. Quando seja um dia festivo, os ornamentos sagrados de cor dourado ou prateado podem substituir os de outras cores, exceto os de cor preta.”
Azul
Cabe também mencionar o uso litúrgico da cor azulpara Festas e Solenidades da Santissima Virgem Maria. O azul não é uma das cores litúrgicas previstas pela IGMR, mas seu uso é largamente difundido no Brasil, Portugal e alhures. A origem de seu uso litúrgico moderno parece remontar a um privilégio papal dado a algumas dioceses espanholas para uso na Solenidade da Imaculada Conceição. Segundo o Pe. Polycarpus Rado, : "A cor cerúlea foi usada no medievo, sendo agora permitida apenas em algumas dioceses da Espanha na festa da Imaculada Conceição e nas missas de sábado." O privilégio teria sido estendido aos países da América Latina de colonização espanhola, bem como às Filipinas (também ex-colônia espanhola). Em Portugal, haveria o privilégio do uso litúrgico do azul na Solenidade da Imaculada Conceição em favor das celebrações realizadas na Capela de S. Miguel da Universidade de Coimbra, em razão da defesa do dogma da Imaculada Conceição por esta secular instituição acadêmica. O privilégio também se estenderia à Áustria e à Bavária, à Arquidiocese Los Angeles, à Arquidiocese de Saint Louis (EUA), aos carmelitas, aos beneditinos ingleses, ao Instituto Cristo Rei e Sacerdote e a alguns santuários marianos.
Alguns liturgistas exprobam o uso de uma cor não autorizada na Liturgia. Contudo, podem-se utilizar os seguintes argumentos na defesa de seu uso litúrgico:
1) Sabendo-se que o costume também é fonte do Direito canônico, poder-se-ia argumentar que o azul para festas marianas incorporou-se, por via consuetudinária, às cores litúrgicas da Igreja.
2) Se a IGMR permite que paramentos festivos de outra cor que não a do dia sejam usados em ocasiões especiais (e.g., o dourado e o prateado, ambos não previstos na edição latina da IGMR), como explicado acima, não há razão por que impedir o azul nas festas de Maria Santíssima.


Textos adaptados pelo autor. Paulo Henriques.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Significado das Velas Acesas no Altar.

Temos de diferenciar as velas do altar (para a Missa e para a Exposição do Santíssimo) das velas acesas em veneração a um santo (ou a Deus mesmo). As velas que se acendem no altar são próprias para o culto litúrgico, e a Instrução Geral para o Missal Romano e as rubricas dos demais ritos dão diretrizes para seu uso. Já as usadas nos oratórios e nos altares laterais são para devoção pessoal (pagar uma promessa, pedir uma graça etc).

A vela tem um significado profundo e singelo ao mesmo tempo. Como só ilumina quando se consome, lembra nosso aniquilamento para ser luz do mundo: só poderemos fazer brilhar o Evangelho em nossas vidas se nos gastarmos por Cristo. Por isso, ela é usada em muitos atos litúrgicos e extra-litúrgicos.

Qual o sentido das velas do altar? Nós as acendemos durante a Missa para mostrar que somos como elas, que se consomem quando prestam seu serviço. Assim devemos ser nós: cumprir nossa missão (a da vela é iluminar e aquecer) e, para isso, nos gastar (para iluminar e aquecer, a vela vai se consumindo, se destruindo). Mais ainda, a consumação da vela representa a entrega de Cristo por nós, pois foi morrendo que nos deu a vida eterna. Ora, a Missa não é justamente a Cruz tornada presente? Nada mais coerente do que ter as velas se consumindo no altar como lembrança do sacrifício que se realiza, como sinal do que está acontecendo. O "sacrifício" da vela é um símbolo do sacrifício de Jesus que se imola por nós na Missa. E também um símbolo dos nossos sacrifícios, meritórios se unidos ao de Cristo.
 
O mesmo pode ser dito da vela que se acende durante a Exposição do Santíssimo, uma vez que, embora não seja um sacrifício, continua a adoração que prestamos a Deus, iniciada na Missa: só há adoração a Cristo Eucarístico porque houve, em algum tempo, uma consagração mediante a qual se conseguiu o Corpo de Jesus a ser colocado no ostensório ou na âmbula. Essa prolongar da adoração, que une, misticamente, a Missa e a Exposição, é simbolizado pela vela.

Outrossim, ainda no uso litúrgico, a vela pode significar a iluminação, como quando o fiel a recebe em seu Batismo. De fato, pelo Batismo somos iluminados pela graça. Deus, a Luz verdadeira, vem em nossa alma morar.

Já a vela para devoção pessoal é uma faculdade, como toda oração privada, não oficial. Ainda assim, é sumamente recomendada que a usemos nas mais variadas situações - quer para simbolizar o sacrifício de Cristo, quer para significar a nossa consumação diante de Deus, quer, ainda, para representar a luz que de Deus procede (mesmo que mediante seus santos, e, sobretudo, a Santíssima Virgem). Podemos usá-la para o cumprimento de um voto feito a Deus ou aos santos.

Mas o santo só intercede por nós mediante o voto? Mediante a vela? Claro que não! O santo intercede com ou sem voto a ele feito. O voto é mais uma demonstração de nosso afeto, de nossa devoção, do que um condicionamento para a ação do intercessor. Mais uma gratidão do que uma recompensa (até porque o santo já tem a maior de todas as recompensas: a visão beatífica). A finalidade da promessa (seja ela de acender uma vela ou qualquer outra) é a nossa devoção, não um aumento da eficácia do santo.

Acender velas pelos mortos é um modo de, simbolicamente, desejar-lhes a luz, a Luz Eterna, que é Deus.



quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

CURSO BIBLICO 
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ENCONTRO 11 – O ANO LITURGICO.

CICLO DA PASCOA – O PENTECOSTES.


O desenvolvimento litúrgico do domingo de Pentecostes, que lhe acentuou a autonomia, começou no inicio do século IV, quando surgiu o uso de reservar à vigília noturna desta solenidade  o conferimento do Batismo àqueles que não puderam recebê-lo na noite de Páscoa.
O domingo de Pentecostes conclui o tempo pascal e na revisão dos textos, tanto bíblicos como eucológicos, da celebração ocorrido durante a reforma litúrgica, acentuou-se uma temática que evidencia o evento salvifico da efusão do Espírito Santo, substituindo a temática genérica sobre o Espírito Santo, utilizada até então.

1 – O ESPIRITO SANTO.

1.a – “Não vos afasteis de Jerusalém, mas esperai a realização da promessa do Pai, que ouvistes de meus lábios” (At 1,4) – Obedecendo à ordem recebida, reuniram-se os apóstolos em oração. Foi a primeira novena de Pentecostes.
1.b – É em sintonia com a  Igreja primitiva que voltamos a mente e o coração para o Espírito Santo num desejo de melhor conhecê-lo e amá-lo.
1.c – Segundo o sentido latino a palavra espírito significa hálito, respiração, sopro vital. Assim como no homem a respiração é a manifestação da vida, em Deus o Espírito Santo é a expressão, a efusão da vida e do amor do Pai e do filho.
1.d – A Igreja invoca o Espírito Santo para que venha acender no coração de seus filhos a chama da caridade.
1.e – Embora de modo velado, já o Antigo Testamento fala do Espírito Santo, e desde o principio o Espírito Santo está no mundo, mas a revelação explicita do Espírito Santo e de sua efusão sobre todo o povo de Deus é reservada ao Novo Testamento. É o próprio Jesus que o anuncia: “O Paráclito que eu vos enviarei da parte do Pai, o Espírito de Verdade que procede do Pai, dará testemunho de mim”. (Jo 15, 26).
1.f – O Espírito continua a obra do Redentor e dá testemunho dele, iluminando  anteriormente os apóstolos e a todos os fieis sobre o mistério de Cristo.
1.g – O Espírito Santo tem também a missão particular de santificar os fiéis no amor e na verdade: “O Amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo” diz São Paulo (Rm 5,5) e Jesus declara aos apóstolos: “O Espírito da Verdade vos ensinará toda a Verdade” ( Jo 16,13). È justamente sobre estes aspectos que a Igreja nos convida a invocar o Espírito Santo.

2 – O ESPIRITO DA IGREJA.

2.a – A Igreja, fundada por Cristo, para prolongar nos séculos sua obra de salvação, é animada por seu mesmo Espírito. O Concilio Vaticano II, pelo decreto “Ad Gentes” nos recorda: “Foi no dia de Pentecostes que começaram os “Atos dos Apóstolos”, do mesmo modo que pela descida do Espírito Santo sobre a Virgem Maria, fora Cristo concebido e, pela descida do mesmo Espírito sobre Cristo em oração, fora este impelido a cumprir seu Ministério” (AG 4)
2.b A Igreja vive e cresce no mundo sob o influxo do Espírito Santo. Tudo o que a Igreja realizou nestes dois milênios de cristianismo foi feito em virtude do divino Espírito que jamais deixou de assisti-la e de infundir-lhe o vigor necessário para o cumprimento de sua missão.
2.c – O Espírito não é dirige a Igreja por caminhos fáceis, isentos de dificuldades, e de lutas, mas antes a sustenta para que progrida através das mesmas lutas0 e dificuldades com serenidade, constância e alegria de sofrer por Cristo. Da atitude dos primeiros Apóstolos que se alegravam “por terem sido dignos de sofrer afrontas... pelo nome de Jesus”, buscamos o exemplo.
2.d – A força profunda tanto na Igreja nascente como da atual está no deixar-se guiar pelo Espírito Santo, dando testemunho de fé e de amor em Cristo Jesus.
2.e – A fim de colaborar para a união da Igreja, o primeiro e mais importante passo a ser dado é o desenvolvimento do amor que o Espírito Santo derrama em cada batizado para que produza  frutos de caridade, de concórdia e de paz.
2.f – Deixar fermentar no próprio coração germes de egoísmo, de intolerância, de antipatia, que geram a discórdia é um contra senso para aquele que reza pela união e paz universal. Esses germes nascem pequeninos no coração do homem, mas se fomentados podem provocar situações gigantescas, eis porque S. Paulo diz: “Conjuro-vos ... eu, prisioneiro pelo Senhor, que vos comporteis de maneira digna da vocação a que fostes chamados, com toda a humildade, mansidão e longanimidade, suportando-vos mutuamente com caridade, pressurosos em manter a unidade do espírito mediante o vinculo da paz”. (Ef 4,1-3).

3 - GUIADOS PELO ESPIRITO.

3.a – A graça santificante, as virtudes teologais e morais infundidas no batismo situam o cristão no plano sobrenatural e lhe dão a possibilidade de agir sobrenaturalmente, de tender para Deus e para a santidade. Todavia, o modo de proceder do cristão continua humano e, portanto limitado, imperfeito. A inteligência humana, mesmo depois de iluminada pela fé continua sem capacidade para atingir a Deus, impotente para conhecê-lo como ele é.
3.b – Conhecendo imperfeitamente a Deus, é também incapaz de orientar-se perfeitamente para ele, de am=alo efetivamente: “com todo o coração, com toda alma, com toda a mente” (Mt 22,37). Muitas vezes não sabe discernir a vontade de Deus a seu respeito, não sabe distinguir o que é mais perfeito, mais agradável ao Senhor.
3.c – Enquanto o homem procede por iniciativa própria, incompleta é sua orientação para Deus, porque é sempre um “modo humano”. Mas ao se deixar guiar pelo Espírito Santo, age de “modo divino” e assim se orienta para Deus.
  
A Igreja é a comunidade, corpo de Cristo, que tem como alma o Espírito Santo, o qual manifesta a sua presença ativa e eficaz através dos carismas ou dons particulares de graça. Estas manifestações particulares do Espírito são concedidas para o bem comum, porque estão ordenados para a vida, para o crescimento do corpo de Cristo e para a missão. Todo cristão tem o seu dom de graça e um lugar definido na Igreja;todo cristão é um enviado para anunciar Cristo no poder do Espírito Santo.
Que no dia de Pentecostes possamos partir da assembléia eucarística como os apóstolos saíram no cenáculo e com as nossas vidas cantar ao mundo as maravilhas de D







LITURGIA FESTA  NA IGREJA.
ENCONTRO 10 – O ANO LITURGICO.
CICLO DA PASCOA –  O TEMPO PASCAL.

Desde o século VIII até a reforma litúrgica no concilio Vaticano II, com o nome de Tempo Pascal indicava-se o espaço de tempo vai desde a festa da Páscoa até o sábado da oitava de Pentecostes.
Antes do Êxodo, os judeus comemoravam o Pentecostes como festa da colheita (cf Ex 23,14ss). Depois do Êxodo a festa perdeu o caráter naturalista para tornar-se festa memorial do evento salvífico da aliança no Sinai.  No tempo de Jesus a festa dos cinquenta dias após a Páscoa era ainda celebrada no judaísmo oficial como festa da colheita, mas já havia tomado em alguns círculos religiosos o sentido de comemoração da teofania do Sinai.  
É provável que a Igreja primitiva tenha se inspirado no costume hebraico ao celebrar os cinqüenta dias pascais.
Desde o começo a festa cristã de Pentecostes teve o seu significado original e preciso. Segundo o texto do capitulo dois de Atos a festa foi marcada pela efusão do Espírito Santo e pela vocação da nova comunidade do Crucificado-Ressuscitado.

1 – O Tempo pascal na reforma do ano litúrgico.

1.a – Os cinqüenta dias que vão desde o domingo da ressurreição até o domingo de Pentecostes, são celebrados no jubilo e na alegria, como um único dia de festa, ou melhor, como o “grande domingo”. São os dias nos quais, de modo todo especial, canta-se o Aleluia.
1.b – Os domingos desse tempo são considerados como domingos de Páscoa e depois do domingo da Ressurreição, são chamados de II, III, IV, V, VI e VII domingos de Páscoa. Este tempo sagrado dos cinqüenta dias conclui-se com o domingo de Pentecostes.
1.c – Os primeiros oito dias do tempo pascal constituem a oitava da Páscoa e são celebrados como solenidades do Senhor.
1.d – A Ascensão do Senhor é celebrado no quadragésimo dia após a Páscoa, salvo nos lugares em que não é de preceito, onde será transferido para o VII domingo da Páscoa.
Os dias após a Ascensão até o sábado antes do Pentecostes preparam a vinda do Espírito Santo.

2 – O significado da celebração dos cinqüenta dias pascais.

2.a – A Igreja nasce no ato do sacrifício pascal de Cristo, mas somente cinqüenta dias após a ressurreição o Espírito Santo é dado à primeira comunidade cristã reunida em assembléia.
2.b – Para os apóstolos, chamados a serem fundamento da Igreja, esse tempo é importante. Para poderem responder a sua vocação, eles tiveram que percorrer um itinerário de vida de fé adquirindo plena consciência do novo modo da presença de Jesus ressuscitado no meio deles e para compreender o Reino que mesmo não sendo deste mundo, deve ser construído no mundo.
2.c – durante os cinqüenta dias Jesus educou os apóstolos com varias aparições, para que compreendessem os novos sinais da sua ação no mundo. Há uma nova pratica no exercício da fé e são tentados à incredulidade, até o dia em que serão investidos com a força do Espírito. A partir de então testemunham diante do mundo a fidelidade ao evangelho, inclusive com o próprio sangue.
2.d – Também para nós este tempo deve constituir um tempo de aprofundamento da fé e dos sinais da fé.
2.e – O Tempo pascal deve ser valorizado de forma responsável sob o ponto de vista espiritual e pastoral. “É um tempo diferente dos outros, como um dia celeste, um dia de eternidade, inserido na trama do tempo terreno.  Durante este dia celeste (cuja duração é de cinqüenta dias terrenos), a Igreja faz a experiência, nos limites do possível , da vida eterna, da vida glorificada, na qual penetrou o homem chamado Jesus, conservando escancarada a sua porta”. (Ruillard).
2.f – A liturgia do Tempo pascal introduz toda a comunidade cristã num conhecimento mais pleno do mistério de Cristo e da Igreja, nascida da Páscoa, através da proclamação dos textos bíblicos que nos trazem a experiência vivida pela primeira geração cristã guiada pelos apóstolos.

3 – A celebração do mistério da Ascensão.

3.a - Desde a segunda metade do século IV, no quadragésimo dia depois da Páscoa, celebrou-se a festa da Ascensão, transferida agora para o VII domingo da Páscoa. Embora Santo Agostinho (+ depois do ano 394) mencione como uma festa celebrada por todas as cidades, dando a entender que a instituição remonte aos próprios apóstolos ou um decreto de algum sínodo, nenhum outro escritor, antes do século IV, menciona essa festa. A festa litúrgica surgiu provavelmente na segunda metade do século IV, porque no século V já estava largamente difundida.
3.b – a nossa fé não deve pensar tanto na Ascensão como acontecimento localizado em determinado espaço no tempo. Não devemos fantasiar com as imagens através da quais os textos da Escritura oriundos de um contexto de cultura diferente da nossa nos transmitem de salvação (por exemplo: “sentar-se à direita de Deus”), mas devemos acolher no plano da fé a dimensão da realidade cósmica e sacerdotal da ressurreição.
3.c – Cristo que sobe ao céu é o Jesus ressuscitado que vive de maneira nova e diferente, a fim de que sua humanidade, assim compreendido o seu corpo, totalmente vivificada pelo Espírito Santo possa agir em nos, em toda a Igreja, no mundo e em todos os tempos como único instrumento de salvação.
3.d – O mistério da Ascensão esta intimamente ligado à inauguração da missão da Igreja. A comunidade dos fieis é um sinal do poder de Deus manifestado em Jesus Cristo. Cristo, chefe e senhor da Igreja está unido de maneira única ao mistério de Deus e por isso ela pode estar presente em todo o lugar. O mesmo Jesus do mistério da Ascensão e cabeça da Igreja. 
3.e – Com a Ascensão cessa a experiência da presença sensível de Jesus em nosso meio e começa o tempo da presença invisível de Jesus no Espírito, através do sinal visível do seu corpo, que é a Igreja. “Eu já não estou no mundo; eles permanecem no mundo, enquanto eu vou para junto de ti”. (Jo 17,11)






CURSO LITURGIA

ENCONTRO 9 – O ANO LITURGICO.
CICLO DA PASCOA – SEMANA SANTA E O TRIDUO PASCAL.

Além de preparar o cristão para a Páscoa, a Quaresma quer fazer com que o mistério da Páscoa seja vivido a partir da Paixão. Ela faz com que a Igreja suba com Cristo para Jerusalém.
A subida de Jesus para Jerusalém não é só uma peregrinação, mas tem um significado messiânico e teológico que deve ser colocado em relevo: Jesus vai a Jerusalém para cumprir a vontade do Pai.
Para a comunidade cristã a Quaresma é um novo êxodo, um retorno do exílio para Jerusalém, isto é,  para a Páscoa de Cristo, que edifica a comunidade como Igreja.
Seguindo a Quaresma com este espírito, chega-se com fé mais iluminada à Semana Santa, quando a liturgia segue passo a passo os últimos acontecimentos da vida terrena de Jesus.
“O mistério pascal, que encontra na Semana Santa a sua mais alta e comovida celebração, não é simplesmente um momento do ano litúrgico ele é a fonte de todas as outras celebrações do próprio ano litúrgico, porque todas se referem ao mistério da nossa redenção, isto é, o mistério pascal.” (Paulo VI)

1 - DOMINGO DE RAMOS –

O Domingo de Ramos que inicia a “grande semana” ainda faz parte do tempo da Quaresma.
Neste dia a Igreja faz a memória da entrada de Cristo Senhor em  Jerusalém para ai realizar o seu mistério pascoal.
Na liturgia revivem e se revelam os dois aspectos fundamentais da Páscoa: a entrada messiânica de Jesus em Jerusalém como anuncio e figura do triunfo da sua ressurreição e a memória da sua paixão, que marca a libertação da humanidade do pecado e da morte.  Este é o único domingo em que se faz tal memória da paixão do Senhor.
Solenemente comemorada com a procissão coloca em relevo a entrada de Jesus na Cidade Santa, aclamado pela multidão dos hebreus como Messias o que tem um profundo significado de fé: Enquanto os chefes do sinédrio pensam na eliminação de Jesus, além dos hebreus que o aplaudem, os pagãos pedem para ver Jesus. O Filho do Homem é glorificado sendo reconhecido pelo resto de Israel e pelas primícias dos povos pagãos ( Cf Jo, 12,12-50).
O rito que comemora a entrada de Jesus em Jerusalém deve predispor o animo dos fieis à proclamação da paixão de Jesus na liturgia da palavra e à sua atuação sacramental na litúrgica eucarística. Todos os textos bíblicos são escolhidos nesse sentido.

2 - O TRIDUO PASCAL.

A Páscoa é celebrada sacramentalmente em três dias: A Sexta Feira Santa celebra a Paixão; o Sábado Santo s sepultura; o domingo, a ressurreição. Pode-se notar que a Quinta Feira Santa não faz parte do Tríduo e é considerado como “o dia anterior à Páscoa”, ou mais simplesmente “a quinta feira da ultima semana da Quaresma”.

2.A - Quinta Feira Santa. – Embora não faça parte do tríduo pascal a Missa da Ceia do Senhor tem profundo significado para a celebração da Páscoa.
Esta missa é considerada como abertura da celebração da “bem aventurada paixão”. Ela nos fornece o momento sacramental do próprio mistério, ou seja, atualiza e perpetua a sua presença através dos tempos. Assim, enquanto o Tríduo nos apresenta a realidade do mistério pascal único e unitário na sua dimensão historia, a Quinta Feira Santa o transmite em sua dimensão ritual
No rito da ceia, que Jesus ordenou celebrar em sua memória, ele nos deu o seu sacrifício pascal. A Igreja por vontade de Cristo, repete a ceia para perpetuar a Páscoa.  Ela não deve ser apresentada aos fieis como a “missa da comunhão pascal”, pois a verdadeira eucaristia da Páscoa é aquela da Vigília do sábado à noite.

2.A.1. – a Adoração da Eucaristia.
Ao terminar a celebração da missa, as sagradas espécies são conduzidas processionalmente para um lugar devidamente preparado, a fim de que sejam colocadas num tabernáculo, adoradas e conservadas para a comunhão da Sexta Feira Santa. Este sinal de adoração quer sublinhar os aspecto derivado da celebração da missa: a presença permanente de Cristo sob as espécies eucarísticas.

2.B – Sexta Feira Santa . – A liturgia não considera a Sexta Feria Santa como dia de luto e de pranto, mas de amorosa contemplação do sacrifício cruento de Jesus, fonte de nossa salvação. Ela celebra a morte vitoriosa do Senhor e por isso fala da “bem-aventurada” e “gloriosa” paixão.
Segundo uma antiqüíssima tradição a Igreja não celebra nesse dia a eucaristia. O elemento fundamental da liturgia  deste dia é a proclamação da palavra.
2.B.1 – Liturgia da Palavra.  Não há muitos ritos introdutórios. Depois da prostração e de uma breve oração, procede-se imediatamente às leituras.
2.B.2 – A Solene Oração dos Fieis. -Depois da leitura dos textos bíblicos que culmina com a leitura da narrativa da paixão segundo João, a liturgia da palavra se conclui com a solene oração dos fieis para as grandes intenções da Igreja e do mundo. Com esta oração solene que a Igreja faz em nome de Jesus, único sacerdote, ela apresenta ao Pai as suas grandes intenções. Com esta oração solene, toda a família de Deus e toda a humanidade são como que levadas aos pés da cruz, na qual Cristo morre por todos.
2.B.3. – A Adoração da Cruz. A Igreja não celebra a ceia do Senhor na Sexta feira Santa. A liturgia está toda concentrada no sacrifício cruento de Cristo e não em seu rito memorial. A expressão “adoração da cruz” pode ser ambígua, se não for  explicada: o que adoramos é a pessoa de Cristo crucificado e o mistério que esta morte significa para nós. 
A Igreja não separa a morte de Jesus da sua ressurreição e por isso a Igreja faz um hino de louvor e de glorificação à cruz celebrando Cristo vencedor da morte e já proclama a sua ressurreição com a antífona: “Adoramos  a vossa cruz, Senhor; louvamos e glorificamos a vossa santa ressurreição. Do madeiro da cruz veio a alegria ao mundo inteiro”.
2.B.4 – Comunhão.-. Durante muitos séculos não se comungava na Sexta Feira Santa por se considerar que nesse dia os apóstolos estavam mergulhados na tristeza e deviam ter ficado em jejum pela ausência do Esposo, não apenas do alimento material, mas também do espiritual, a eucaristia, na expectativa do seu retorno (Cf Mt 9,14-15). A comunhão foi introduzida na reforma da Semana Santa realizada por Pio XII em 1955. Muitos criticaram a decisão entendendo que se corria o risco de desfocar o objetivo do ponto culminante do Tríduo: a participação a eucaristia na Vigília pascal e o significado do dia litúrgico.
 Se as coisas são apresentadas com seu verdadeiro sentido, através de catequese apropriada, é possível sublinhar o lado positivo do rito. Toda comunhão, mesmo feita fora da missa, é sempre comunhão com Cristo, que se oferece por nos em sacrifício ao Pai. É este o significado especifico que se deve salientar.
2.B.5 – Rito final – O solene ato litúrgico da paixão e morte do Senhor conclui-se com uma oração e com a benção do povo que em seguida, silenciosamente  se retira.

2.C.- Sábado Santo. A Igreja fica parada junto ao sepulcro do Senhor, meditando a sua paixão e morte, abstendo-se de celebrar o sacrifício da missa (a mesa fica sem toalha e ornamento) até a solene Vigília ou expectativa noturna da ressurreição.
O Sábado Santo é um dia “alitúgico”, isto é, sem celebração eucarística e a Igreja se limita a convocar a assembléia para a Liturgia das horas, diferentemente da Igreja antiga que não se reunião nem para oração. Quase nada é dito sobre o mistério da salvação contido no repouso de Cristo na tumba. É então oportuno uma reflexão sobre o conteúdo do artigo do Credo sobre a descida de Cristo à mansão dos mortos.
A inserção deste artigo no Credo apostólico remonta ao século IV e foi feita sem lhe dar nenhuma interpretação.
2.C.1 – O primeiro significado deste ponto da fé diz respeito à morte de Cristo na cruz. Jesus morreu realmente porque é realmente homem.
2.C.2 – outro significado, que de certa forma é incluído no anterior, é a solidariedade de Jesus, morto na cruz, com todos os homens mortos. Assim como foi solidário com os vivos, foi também solidário com os mortos.
2.C.3 – A descida à mansão dos mortos assinala a vitória de Cristo em favor dos homens que viveram sob a antiga aliança.

2.D. – Domingo de Páscoa -Vigília Pascal na Noite Santa e Missa do Dia.
2.D.1 – Vigília Pascal.
2.D.1.A – Páscoa Judaica – Na páscoa judaica já estava presente a motivação da Vigília na qual era celebrado o rito pascal: “Esta foi a noite de vigília para o Senhor, para faze-los sair do pais do Egito”. Portanto, “assim deve ser para todos os filhos de Israel uma vigília para o Senhor, em todas as gerações”. (Ex 12,42)
Durante esta vigília, os israelitas celebrando o rito pascal, faziam a memória da salvação realizada por Deus nos eventos do êxodo. “Esse dia será para vocês um memorial, pois nele celebrarão uma festa para o Senhor, vocês celebrarão como um rito permanente, de geração em geração”. (Ex 12,14).
Nos textos do judaísmo a teologia da Páscoa acentua também o aspecto escatológico. A vigília pascal dos judeus, depois da destruição do templo, concluía-se com um “adeus a Jerusalém” , cheio de esperança temporal: “Até o próximo ano em Jerusalém”. “Ele reconstruirá a sua casa em breve, logo, logo em nossos dias.”.
2.D.1.B - Páscoa Cristã. Na páscoa cristã, a estrutura teológica da Vigília pascal não muda, mas é enriquecida com a “realidade” que é Cristo, o Crucificado-Ressuscitado.Ele é a páscoa da nossa salvação. . 
Os cristãos vigiam na noite de Páscoa para celebrar toda a econômica salvífica, numa visão unitária e continua deste a criação até a parusia. . O conteúdo litúrgico e teológico da Páscoa é de caráter comemorativo recordando e revivendo o evento salvífico da morte-ressurreição de Cristo.
O sentido mais verdadeiro da Vigília é este: nós já estamos vivendo a Páscoa que celebramos no rito. Celebramos para que se realize sempre mais profundamente em nós, na expectativa da Páscoa eterna.  “a noite vai avançada e o dia está próximo. Deixemos, portanto, as obras das trevas e vistamos as armas da luz... Vistam-se do Senhor Jesus Cristo”. (Rm 13,12-14).

2.D.2 – O dia de Cristo Senhor. – A liturgia do dia de Páscoa celebra o evento pascal como “dia de Cristo Senhor”.
As leituras bíblicas contem o “kérigma” pascal e um chamamento para o empenho da vida nova em Cristo ressuscitado. Elas acentuam o valor sacramental da celebração da Páscoa, que participada, faz entrar numa nova condição de vida.
Somente Cristo levou a termo a verdadeira vocação humana, porque é Homem-Deus. Na sua ressurreição comunica ao mundo o seu Espírito de vida que muda o coração do homem, Espírito de liberdade, que redime o homem de suas escravidões e exatamente na raiz, pois resgata o homem do pecado.
A Páscoa de Cristo liberta o homem “por dentro”, pois até que o homem seja ameaçado pelo seu pecado, nenhuma libertação exterior está garantida.


CURSO LITURGIA

ENCONTRO 8 – O ANO LITURGICO
CICLO DA PASCOA – A QUARESMA.

1 - O Tempo da Quaresma.

-          A quaresma tem por finalidade preparar a Páscoa: a liturgia quaresmal  conduz à celebração do mistério pascal, seja para os catecúmenos através,  dos diversos graus da iniciação cristã, seja aos fiéis mediante as lembranças do batismo e da penitencia.
-          O Tempo da Quaresma decorre da Quarta-feira de Cinzas até a Missa da Ceia do Senhor, exclusive. Do inicio da Quaresma até a Vigília pascal não se canta o Aleluia.
-          A quarta-feira, com a qual se inicia a Quaresma e que em todo lugar é dia de jejum, são impostas as cinzas.
-          Os domingos deste tempo são chamados de I, II, III, IV e V domingos da Quaresma. O sexto domingo, no qual se inicia a Semana Santa, chama-se “Domingo de Ramos ou da Paixão do Senhor”.  
-          A Semana Santa tem como finalidade a veneração da Paixão de Cristo, desde a sua entrada messiânica em Jerusalém.

2 – Origem e Historia da Quaresma.

-          A celebração da Páscoa, nos três primeiros séculos da Igreja não tinha um período de preparação. Limitava-se a um jejum realizados nos dois dias anteriores.A comunidade cristã vivia intensamente o empenho cristão, até o testemunho do martírio, que não sentia a necessidade de um período de tempo para renovar a conversão já acontecida com o batismo. Lembre-se que era um tempo de perseguição.
-          A necessidade de um período de tempo para chamar a atenção dos fieis, conscientizando-os da necessária coerência de vida com o batismo, ocorreu no período após a Paz de Constantino.
-          Tanto no Oriente como no Ocidente encontramos os primeiros sinais de um período como preparação espiritual à celebração da Páscoa, no principio do século IV, mas não se sabe ao certo onde, por meio de quem e como surgiu a Quaresma, sabendo-se apenas que ela foi se formando progressivamente.
-          O costume de inscrever os pecadores à penitencia publica quarenta dias ante da Páscoa determinou a formação de uma “quadragésima” (quaresma), que caia no VI domingo antes da Páscoa. O rito penitencial (no qual se inscrevia os pecadores ) não era celebrado no domingo e este ato era celebrado na quarta feira anterior.  Toda quarta feira era dia de jejum. Assim nasceu a Quarta Feira de Cinzas.
-          A partir do fim do século IV a estrutura da Quaresma é de quarenta dias, considerados à luz do simbolismo bíblico, dando a esse tempo um valor salvífico-redentor.
-          Na determinação dos quarenta dias é certo que teve grande peso a tipologia bíblica dos quarenta dias:
-          - Jejum de quarenta dias de Jesus.
-          - Quarenta anos transcorridos pelo povo de Deus no deserto.
-          - Quarenta dias m que Moises esteve no Monte Sinai.
-          - Quarenta dias em que Golias, o gigante filisteu, desafiou Israel .
-          - Quarenta dias em que Elias, fortificado pelo pão cozido sob as cinzas e pela água     chegou ao monte Horeb. 
-          - Quarenta dias em que o profeta Jonas pregou a penitencia aos habitantes de Ninive.


3 – A Espiritualidade da Quaresma.

-          A Quaresma é um tempo favorável para a redescoberta e aprofundamento do discípulo de Cristo. A conversão cristã  não é simplesmente uma conversão moral, (embora exija-a), mas é conversão para Deus. Isto exige uma mudança intima e radical pela qual o homem começa a pensar, a julgar e reordenar a sua vida, movido pela santidade e bondade de Deus.
-          O aspecto mais profundo da espiritualidade da Quaresma consiste na participação sacramental do mistério pascal de Cristo em seus momentos de paixão.
-          A espiritualidade da Quaresma é caracterizada também por uma mais atenta e prolongada escruta da palavra Deus, pois é esta palavra que ilumina o conhecimento dos próprios pecados, chama a conversão e infunde confiança na misericórdia de Deus. Neste sentido os textos bíblicos quaresmais (durante os cinco domingos que precedem a Semana Santa, no ciclo trienal, são proclamados quarenta e cinco textos bíblicos) colaboram decisivamente para essa tomada de consciência.

4 – As Leituras Bíblicas quaresmais.

-          As leituras do Antigo Testamento podem ser reduzidas a três grupos: 1) os textos que apresentam a historia da salvação (a aliança original; a vocação de Abraão; o êxodo;  o deserto e a historia de Israel; 2) os textos que proclama a lei e, portanto, os deveres morais impostos pela aliança; 3) os apelos dos profetas à conversão e ao arrependimentos.
-          As epistolas foram escolhidas tanto para prolongar a mensagem contida nas leituras do Antigo Testamento e mostrar a profundidade das mesmas, como preparar a escuta do Evangelho.
-          Os evangelhos dos dois primeiros domingos, nos três anos, estão sempre centrados em Cristo tentado e transfigurado; os outros três domingos preparam mais diretamente para o batismo ou à renovação das promessas na noite de Páscoa.
-          Existem três itinerários claramente identificados durante os três anos na liturgia da palavra de cada domingo: No ano A como uma Quaresma batismal, onde as leituras acentuam o caráter batismal. – No ano B como uma Quaresma cristocêntrica, onde os textos então centrados no mistério da cruz gloriosa de  Cristo segundo João. – No ano C como uma Quaresma penitencial, com os textos de Lucas colocando em relevo a misericórdia  de Deus e o convite para acolhê-la..

5 – As obras de penitencia quaresmal.

-          O jejum – mesmo que limitado à Quarta Feira de Cinzas e à Sexta Feira Santa, e a abstinência de carne todas as sextas feiras, devem expressar a intima relação que existe entre este sinal externo penitencial e à conversão interior. É inútil abster-se de alimentos e não se abster do pecado e a liturgia quaresmal insiste no apelo para superar o formalismo.
-          A oração – A quaresma é tempo de uma mais assídua e intensa oração entendida em sua autenticidade evangélica mais profundo, isto é, a participação na oração de Cristo. A oração cristã não é e não pode ser de modo alguém a tentativa de manipular Deus, para tê-lo como avalista de nossos próprios projetos, mas é plena disponibilidade à vontade divina. A oração, sobretudo no tempo quaresmal, será feita também e em comunidade, quando o individuo e a comunidade externa a expressão de louvor, da ação de graças e da suplica e concretiza a plena oferta de si a Deus no profundo sentido de “sacrifício do espírito”.

-          A caridade -  A Quaresma é tempo de um mais forte empenho de caridade para com os irmãos. A liturgia fala de “assiduidade na caridade operante”, de “uma vitória sobre o nosso egoísmo que nos torne disponíveis às necessidades dos pobres”.  Os textos bíblicos e eucológicos da Quaresma apelam para a justiça e a caridade que levam à verdadeira ascese.