quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

CURSO LITURGIA

ENCONTRO 8 – O ANO LITURGICO
CICLO DA PASCOA – A QUARESMA.

1 - O Tempo da Quaresma.

-          A quaresma tem por finalidade preparar a Páscoa: a liturgia quaresmal  conduz à celebração do mistério pascal, seja para os catecúmenos através,  dos diversos graus da iniciação cristã, seja aos fiéis mediante as lembranças do batismo e da penitencia.
-          O Tempo da Quaresma decorre da Quarta-feira de Cinzas até a Missa da Ceia do Senhor, exclusive. Do inicio da Quaresma até a Vigília pascal não se canta o Aleluia.
-          A quarta-feira, com a qual se inicia a Quaresma e que em todo lugar é dia de jejum, são impostas as cinzas.
-          Os domingos deste tempo são chamados de I, II, III, IV e V domingos da Quaresma. O sexto domingo, no qual se inicia a Semana Santa, chama-se “Domingo de Ramos ou da Paixão do Senhor”.  
-          A Semana Santa tem como finalidade a veneração da Paixão de Cristo, desde a sua entrada messiânica em Jerusalém.

2 – Origem e Historia da Quaresma.

-          A celebração da Páscoa, nos três primeiros séculos da Igreja não tinha um período de preparação. Limitava-se a um jejum realizados nos dois dias anteriores.A comunidade cristã vivia intensamente o empenho cristão, até o testemunho do martírio, que não sentia a necessidade de um período de tempo para renovar a conversão já acontecida com o batismo. Lembre-se que era um tempo de perseguição.
-          A necessidade de um período de tempo para chamar a atenção dos fieis, conscientizando-os da necessária coerência de vida com o batismo, ocorreu no período após a Paz de Constantino.
-          Tanto no Oriente como no Ocidente encontramos os primeiros sinais de um período como preparação espiritual à celebração da Páscoa, no principio do século IV, mas não se sabe ao certo onde, por meio de quem e como surgiu a Quaresma, sabendo-se apenas que ela foi se formando progressivamente.
-          O costume de inscrever os pecadores à penitencia publica quarenta dias ante da Páscoa determinou a formação de uma “quadragésima” (quaresma), que caia no VI domingo antes da Páscoa. O rito penitencial (no qual se inscrevia os pecadores ) não era celebrado no domingo e este ato era celebrado na quarta feira anterior.  Toda quarta feira era dia de jejum. Assim nasceu a Quarta Feira de Cinzas.
-          A partir do fim do século IV a estrutura da Quaresma é de quarenta dias, considerados à luz do simbolismo bíblico, dando a esse tempo um valor salvífico-redentor.
-          Na determinação dos quarenta dias é certo que teve grande peso a tipologia bíblica dos quarenta dias:
-          - Jejum de quarenta dias de Jesus.
-          - Quarenta anos transcorridos pelo povo de Deus no deserto.
-          - Quarenta dias m que Moises esteve no Monte Sinai.
-          - Quarenta dias em que Golias, o gigante filisteu, desafiou Israel .
-          - Quarenta dias em que Elias, fortificado pelo pão cozido sob as cinzas e pela água     chegou ao monte Horeb. 
-          - Quarenta dias em que o profeta Jonas pregou a penitencia aos habitantes de Ninive.


3 – A Espiritualidade da Quaresma.

-          A Quaresma é um tempo favorável para a redescoberta e aprofundamento do discípulo de Cristo. A conversão cristã  não é simplesmente uma conversão moral, (embora exija-a), mas é conversão para Deus. Isto exige uma mudança intima e radical pela qual o homem começa a pensar, a julgar e reordenar a sua vida, movido pela santidade e bondade de Deus.
-          O aspecto mais profundo da espiritualidade da Quaresma consiste na participação sacramental do mistério pascal de Cristo em seus momentos de paixão.
-          A espiritualidade da Quaresma é caracterizada também por uma mais atenta e prolongada escruta da palavra Deus, pois é esta palavra que ilumina o conhecimento dos próprios pecados, chama a conversão e infunde confiança na misericórdia de Deus. Neste sentido os textos bíblicos quaresmais (durante os cinco domingos que precedem a Semana Santa, no ciclo trienal, são proclamados quarenta e cinco textos bíblicos) colaboram decisivamente para essa tomada de consciência.

4 – As Leituras Bíblicas quaresmais.

-          As leituras do Antigo Testamento podem ser reduzidas a três grupos: 1) os textos que apresentam a historia da salvação (a aliança original; a vocação de Abraão; o êxodo;  o deserto e a historia de Israel; 2) os textos que proclama a lei e, portanto, os deveres morais impostos pela aliança; 3) os apelos dos profetas à conversão e ao arrependimentos.
-          As epistolas foram escolhidas tanto para prolongar a mensagem contida nas leituras do Antigo Testamento e mostrar a profundidade das mesmas, como preparar a escuta do Evangelho.
-          Os evangelhos dos dois primeiros domingos, nos três anos, estão sempre centrados em Cristo tentado e transfigurado; os outros três domingos preparam mais diretamente para o batismo ou à renovação das promessas na noite de Páscoa.
-          Existem três itinerários claramente identificados durante os três anos na liturgia da palavra de cada domingo: No ano A como uma Quaresma batismal, onde as leituras acentuam o caráter batismal. – No ano B como uma Quaresma cristocêntrica, onde os textos então centrados no mistério da cruz gloriosa de  Cristo segundo João. – No ano C como uma Quaresma penitencial, com os textos de Lucas colocando em relevo a misericórdia  de Deus e o convite para acolhê-la..

5 – As obras de penitencia quaresmal.

-          O jejum – mesmo que limitado à Quarta Feira de Cinzas e à Sexta Feira Santa, e a abstinência de carne todas as sextas feiras, devem expressar a intima relação que existe entre este sinal externo penitencial e à conversão interior. É inútil abster-se de alimentos e não se abster do pecado e a liturgia quaresmal insiste no apelo para superar o formalismo.
-          A oração – A quaresma é tempo de uma mais assídua e intensa oração entendida em sua autenticidade evangélica mais profundo, isto é, a participação na oração de Cristo. A oração cristã não é e não pode ser de modo alguém a tentativa de manipular Deus, para tê-lo como avalista de nossos próprios projetos, mas é plena disponibilidade à vontade divina. A oração, sobretudo no tempo quaresmal, será feita também e em comunidade, quando o individuo e a comunidade externa a expressão de louvor, da ação de graças e da suplica e concretiza a plena oferta de si a Deus no profundo sentido de “sacrifício do espírito”.

-          A caridade -  A Quaresma é tempo de um mais forte empenho de caridade para com os irmãos. A liturgia fala de “assiduidade na caridade operante”, de “uma vitória sobre o nosso egoísmo que nos torne disponíveis às necessidades dos pobres”.  Os textos bíblicos e eucológicos da Quaresma apelam para a justiça e a caridade que levam à verdadeira ascese.

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