CURSO
LITURGIA
ENCONTRO
8 – O ANO LITURGICO
CICLO
DA PASCOA – A QUARESMA.
1
- O Tempo da Quaresma.
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A quaresma tem
por finalidade preparar a Páscoa: a liturgia quaresmal conduz à celebração do mistério pascal, seja
para os catecúmenos através, dos
diversos graus da iniciação cristã, seja aos fiéis mediante as lembranças do
batismo e da penitencia.
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O Tempo da
Quaresma decorre da Quarta-feira de Cinzas até a Missa da Ceia do Senhor, exclusive.
Do inicio da Quaresma até a Vigília pascal não se canta o Aleluia.
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A quarta-feira,
com a qual se inicia a Quaresma e que em todo lugar é dia de jejum, são
impostas as cinzas.
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Os domingos deste
tempo são chamados de I, II, III, IV e V domingos da Quaresma. O sexto domingo,
no qual se inicia a Semana Santa, chama-se “Domingo de Ramos ou da Paixão do
Senhor”.
-
A Semana Santa
tem como finalidade a veneração da Paixão de Cristo, desde a sua entrada
messiânica em Jerusalém.
2
– Origem e Historia da Quaresma.
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A celebração da Páscoa,
nos três primeiros séculos da Igreja não tinha um período de preparação.
Limitava-se a um jejum realizados nos dois dias anteriores.A comunidade cristã
vivia intensamente o empenho cristão, até o testemunho do martírio, que não
sentia a necessidade de um período de tempo para renovar a conversão já
acontecida com o batismo. Lembre-se que era um tempo de perseguição.
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A necessidade de
um período de tempo para chamar a atenção dos fieis, conscientizando-os da
necessária coerência de vida com o batismo, ocorreu no período após a Paz de
Constantino.
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Tanto no Oriente
como no Ocidente encontramos os primeiros sinais de um período como preparação
espiritual à celebração da Páscoa, no principio do século IV, mas não se sabe
ao certo onde, por meio de quem e como surgiu a Quaresma, sabendo-se apenas que
ela foi se formando progressivamente.
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O costume de
inscrever os pecadores à penitencia publica quarenta dias ante da Páscoa
determinou a formação de uma “quadragésima” (quaresma), que caia no VI domingo
antes da Páscoa. O rito penitencial (no qual se inscrevia os pecadores ) não
era celebrado no domingo e este ato era celebrado na quarta feira
anterior. Toda quarta feira era dia de
jejum. Assim nasceu a Quarta Feira de Cinzas.
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A partir do fim
do século IV a estrutura da Quaresma é de quarenta dias, considerados à luz do
simbolismo bíblico, dando a esse tempo um valor salvífico-redentor.
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Na determinação
dos quarenta dias é certo que teve grande peso a tipologia bíblica dos quarenta
dias:
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- Jejum de
quarenta dias de Jesus.
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- Quarenta anos
transcorridos pelo povo de Deus no deserto.
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- Quarenta dias m
que Moises esteve no Monte Sinai.
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- Quarenta dias
em que Golias, o gigante filisteu, desafiou Israel .
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- Quarenta dias
em que Elias, fortificado pelo pão cozido sob as cinzas e pela água chegou ao monte Horeb.
-
- Quarenta dias
em que o profeta Jonas pregou a penitencia aos habitantes de Ninive.
3
– A Espiritualidade da Quaresma.
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A Quaresma é um
tempo favorável para a redescoberta e aprofundamento do discípulo de Cristo. A
conversão cristã não é simplesmente uma
conversão moral, (embora exija-a), mas é conversão para Deus. Isto exige uma
mudança intima e radical pela qual o homem começa a pensar, a julgar e
reordenar a sua vida, movido pela santidade e bondade de Deus.
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O aspecto mais
profundo da espiritualidade da Quaresma consiste na participação sacramental do
mistério pascal de Cristo em seus momentos de paixão.
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A espiritualidade
da Quaresma é caracterizada também por uma mais atenta e prolongada escruta da
palavra Deus, pois é esta palavra que ilumina o conhecimento dos próprios
pecados, chama a conversão e infunde confiança na misericórdia de Deus. Neste
sentido os textos bíblicos quaresmais (durante os cinco domingos que precedem a
Semana Santa, no ciclo trienal, são proclamados quarenta e cinco textos
bíblicos) colaboram decisivamente para essa tomada de consciência.
4
– As Leituras Bíblicas quaresmais.
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As leituras do
Antigo Testamento podem ser reduzidas a três grupos: 1) os textos que
apresentam a historia da salvação (a aliança original; a vocação de Abraão; o
êxodo; o deserto e a historia de Israel;
2) os textos que proclama a lei e, portanto, os deveres morais impostos pela
aliança; 3) os apelos dos profetas à conversão e ao arrependimentos.
-
As epistolas
foram escolhidas tanto para prolongar a mensagem contida nas leituras do Antigo
Testamento e mostrar a profundidade das mesmas, como preparar a escuta do
Evangelho.
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Os evangelhos dos
dois primeiros domingos, nos três anos, estão sempre centrados em Cristo
tentado e transfigurado; os outros três domingos preparam mais diretamente para
o batismo ou à renovação das promessas na noite de Páscoa.
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Existem três
itinerários claramente identificados durante os três anos na liturgia da
palavra de cada domingo: No ano A como uma Quaresma batismal,
onde as leituras acentuam o caráter batismal. – No ano B como uma Quaresma
cristocêntrica, onde os textos então centrados no mistério da cruz gloriosa
de Cristo segundo João. – No ano C
como uma Quaresma penitencial, com os textos de Lucas colocando em
relevo a misericórdia de Deus e o
convite para acolhê-la..
5
– As obras de penitencia quaresmal.
-
O jejum – mesmo que limitado à Quarta Feira de Cinzas e à
Sexta Feira Santa, e a abstinência de carne todas as sextas feiras, devem
expressar a intima relação que existe entre este sinal externo penitencial e à
conversão interior. É inútil abster-se de alimentos e não se abster do pecado e
a liturgia quaresmal insiste no apelo para superar o formalismo.
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A oração – A quaresma é tempo de uma mais assídua e intensa
oração entendida em sua autenticidade evangélica mais profundo, isto é, a
participação na oração de Cristo. A oração cristã não é e não pode ser de modo
alguém a tentativa de manipular Deus, para tê-lo como avalista de nossos
próprios projetos, mas é plena disponibilidade à vontade divina. A oração,
sobretudo no tempo quaresmal, será feita também e em comunidade, quando o
individuo e a comunidade externa a expressão de louvor, da ação de graças e da
suplica e concretiza a plena oferta de si a Deus no profundo sentido de
“sacrifício do espírito”.
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A caridade - A Quaresma é
tempo de um mais forte empenho de caridade para com os irmãos. A liturgia fala
de “assiduidade na caridade operante”, de “uma vitória sobre o nosso egoísmo
que nos torne disponíveis às necessidades dos pobres”. Os textos bíblicos e eucológicos da Quaresma
apelam para a justiça e a caridade que levam à verdadeira ascese.
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